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Ser Senhora

Esta é a história de como me tornei Senhora. Uma Senhora a sério.

Ser Senhora

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Qual o telemóvel mais ecológico?

Junho 30, 2020

Devido a contextos da vida tive de adquirir um telemóvel. Isto fez-me questionar um pouco sobre qual seria a escolha com menos impacto ambiental e mais alinhada com os meus valores. Fiz uma pequena lista (absolutamente nada científica) das diferentes opções para obter um telemóvel, por ordem de impacto ambiental.

1. Não ter telemóvel

Não ter telemóvel é sem dúvida a opção mais ecológica. Ao escolher não ter telemóvel, não se é responsável pelos recursos (materiais e humanos) utilizados para o produzir, nem pelo resíduo produzido quando o telemóvel deixa de ser útil. Uma opção muito ecológica, mas que não dá muito jeito para quem vive em sociedade.

2. Ter um telemóvel em segunda mão ou recondicionado

Ao adquirir um telemóvel já usado, não somos responsáveis pela existência dele. O telemóvel já existe, podemos prolongar a sua longevidade por mais uns anos/meses, tornando-o parte da nossa vida e adiando a data em que o telemóvel se torna num resíduo.

Um telemóvel recondicionado é um telemóvel usado, mas com a vantagem de ter sido inspecionado pelo comerciante e de (muitas vezes) ter garantia. O preço é mais baixo do que o de um modelo novo. Se quiserem saber um pouco mais, este artigo está bastante completo.

3. Comprar um Fairphone

A Fairphone é uma empresa que tem como missão produzir telemóveis justos e sustentáveis. Focam-se em procurar matérias primas de forma sustentável, defender os direitos dos trabalhadores ao longo da cadeia de produção e em criar telefones duradouros e fáceis de reparar. Esta é uma opção que tem um impacto positivo, porque a Fairphone está a mostrar ás outras marcas como é que a indústria pode ser reorganizada. 

4. Comprar um telemóvel novo e fazê-lo durar o mais possível

Para quem compra um telemóvel novo, a solução ecológica é fazê-lo durar o mais possível, de maneira a que passem muitos anos até que tenha de ser substituído.

 

Agora adivinhem, qual foi a opção que escolhi?

A minha rotina de pele IV

Maio 30, 2020

Este artigo não tem o intuito de ser exemplo para ninguém, serve apenas para documentar na internet como tenho andado a tratar a minha pele nos últimos meses. 

 

De manhã (quase) todos os dias

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Detox Gel Wash, Garnier Organic 

Lavar a cara faz parte do meu processo de acordar, portanto este foi o único passo que se manteve mais ou menos constante desde que vim para Portugal. Este gel tem um cheiro intenso, mas não desagradável, e não me deixa a pele ressequida. Comprei-o já depois de estar em Londres o que despoletou uma grande crise de saudades das farmácias francesas, de todas as opções que vi acabei por trazer este produto porque foi o que foi o que me pareceu menos mau.

 

Toleriane Ultra 8, La Roche-Posay

Este é o passo de hidratação da minha "rotina". Já uso este spray desde Novembro e, apesar dos aquecimentos e das mudanças bruscas de temperatura, a minha pele manteve-se razoavelmente hidratada durante o inverno. É muito fácil e agradável de usar (eu gosto muito de me borrifar) e a embalagem é reciclável. Acabei por comprar uma segunda embalagem em Portugal, mas fiquei indignada porque custa o dobro que em França.

 

Niacinamide 10% + Zinc 1%, The Ordinary

A seguir aplico duas ou três gotas de um sérum de niacinamida. No ano passado, por esta altura, estava a usar exatamente o mesmo sérum, acho que já usei pelo menos três embalagens deste produto nos últimos anos. Tenho a sensação de que quando uso produtos com niacinamida fico com uma pele com uma textura mais uniforme e com menos vermelhidões.

 

Sensitium Contour des Yeux, SVR

Escrevi aqui uma review sobre o produto, portanto não me vou alongar. Tenho andado a incluir este este passo na minha rotina, para ver se termino com o creme.

 

À noite de vez em quando

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Cleasing Balm, Botanics

Limpo a cara com um bálsamo que massajo na pele e depois removo-o com um paninho. Este bálsamo é completamente sólido, mas derrete-se ao ser massajado na pele. Gosto muito do processo de remover o bálsamo com um pano húmido quente, acho muito relaxante. Também sinto que com este passo de limpeza aquele sebo-no-nariz-que-não-são-pontos-negros quase desapareceu e a textura do meu nariz está muito mais lisa.

 

Detox Gel Wash, Garnier Organic 

Lavo a cara uma segunda vez com o mesmo gel que uso de manhã.

 

Glow Tonic, Pixi

Ensopo um algodão ou um bocado de papel higiénico com este tónico e espalho-o na cara. Sinceramente não estou a gostar deste ácido. Comprei-o porque houve uma altura em que a Caroline Hirons falava muito dele, mas deixa-me a a pele mais reativa e avermelhada no dia após a utilização. Vou usa-lo até ao fim, mas prefiro um ácido azeláico ou um ácido salicílico.

 

Quando sei que vou andar muito tempo ao sol

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Réflexe Solaire 50+, Avène

Um protetor que comprei o ano passado quando estava de férias porque tinha proteção elevada e era pequeno. Não sinto que me deixe a pele oleosa. Está quase a acabar.

 

Anthelios XL 50+ Stick, La Roche-Posay

Outro protetor que comprei em terras estrangeiras porque na altura estava a queimar os lábios de cada vez que apanhava um bocadinho de sol. Uso-o nos lábios, nas maçãs do rosto e na ponta do nariz.

 

Chapéu de palha

Porque não gosto mesmo nada de apanhar na sol na cara, e além dos protetores gosto de sombra na cara.

 

Como podem ver tenho andado com uma rotina de pele muito minimalista, para não dizer preguiçosa. Curiosamente a minha pele não está muito mal, mas acho que é principalmente devido ao ar puro do campo e à comida saudável que a minha mãe faz.

Se quiserem ler sobre rotinas de pele mais completas, podem ler o que escrevi em 2019, em 2018 e os princípios de base de como criar uma rotina de pele

Como nao ser uma lesma*

Maio 19, 2020

As primeiras semanas de confinamento não foram fáceis. Deixei Londres, voltei à aldeia para casa dos meus pais e pelo caminho torci um pé. Ainda para mais, em Março, passei duas semanas em exclusão social, mais ou menos entre a cama, a secretária e a sanita.

O mês de Abril começou mais ou menos do mesmo modo. Passei a ver algumas pessoas à distância, mas no geral continuei num modo de preguiça generalizada, o que começou a afetar o meu humor e a minha crença no sentido da vida. Tive de agir.

Para me incentivar a fazer coisas, fiz uma tabela no meu BuJo, com um quadrado para cada dia do mês de Abril, e cada quadrado dividido em quatro. Depois pensei em quatro áreas de atividade diferentes, que tivessem um impacto positivo na minha vida. Escolhi áreas generalista para poder ter várias opções e escolher o que me apetecesse fazer, ou o tempo permitisse, ou o que fosse mais urgente, em vez de me sentir obrigada a fazer a mesma atividade especifica todos os dias e depois perder a motivação e acabar por não fazer nada. Aloquei uma cor a cada área de atividade e cada dia colori um quadrado de acordo com o que fiz.

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A primeira área de atividade que escolhi foi o exercício porque apesar de acreditar que os humanos são desenhados para se mexerem, o meu estilo de vida tornou-se extremamente sedentário e o exercício contribui muito para a melhoria do meu humor. Depois escolhi a criatividade, porque é uma área que descurei um pouco nos últimos anos que quero desenvolver. A terceira atividade escolhida foram ações produtivas; há uma série de pequenas tarefas que é preciso fazer para viver na sociedade e eu tenho tendência para as adiar o mais possível. Por último atividades que requeiram pensar; infelizmente o trabalho não me traz estimulação intelectual suficiente, portanto tenho de a encontrar de outra forma. 

Houve dias em que não consegui fazer uma atividade de cada. Houve dias em que só consegui dedicar alguns minutos a algumas atividades (células contornadas com cor). E, no dia 29 & 30 esqueci-me de colorir e depois já não me lembrava do que tinha feito. No verso da pagina da foto, fui escrevendo o que fiz em cada categoria.

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Com este método consegui motivar-me a fazer coisas e, como as fui registando, senti-me mais produtiva. Usar cores, surpreendentemente, também me motivou. Em Abril fui mais ativa. Andei a pé, fiz alongamentos em dias de chuva, andei de bicicleta, passei o cão, subi escadas quando era demasiado tarde para sair à rua, arranquei as ervas das batatas e pintei paredes. Em Abril expressei a minha criatividade. Escrevi dois artigos para o blog, escrevi uma carta e pintei a óleo, seguindo os tutoriais do Bob Ross, algo que já queria fazer há muito tempo. Em Abril fui produtiva. Tratei de uma série de pequenos assuntos que tinham de ser tratados, lavei tachos, fiz bolos, destralhei o quarto e organizei o computador. Em Abril usei o cérebro, principalmente para ler.

/

Em Maio estou a fazer algo ligeiramente diferente. Tenho feito exercício quase todos os dias, tenho pintado no fim de semana e voltei a ter um hábito de leitura regular. Portando, em vez continuar a fazer quatro atividades diferentes por dia, estou a implementar alguns hábitos novos que impactam a minha vida positivamente.

Os especialistas recomendam é implementar um único novo hábito durante 21 dias, mas eu (até agora) estou a focar-me em 3 hábitos diferentes. Não estou a tentar implementar tudo de uma vez e tornar-me uma pessoa diferente de um dia para o outro, porque acho que é insustentável e nunca funciona. Comecei por um hábito simples, e acrescentei novos hábitos gradualmente, à medida que me sentia preparada.

Como aprendi com a experiência de Abril que tomar nota do que faço todos os dias e utilizar cores é muito motivante, estou a utilizar a primeira pagina do mês de Maio para ir registando o meu progresso.

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Comecei por um hábito fácil de implementar, que ocupa pouco tempo, e que requer pouca motivação. Desde o dia 4 de Maio, tenho feito os exercícios para a coluna que o osteopata me recomenda. Só demoro dois minutos, é bom para a minha postura e foi um hábito que tive durante muito tempo e que quero reestabelecer. Como comecei por algo muito simples, passados 3 dias já me sentia suficientemente à vontade para implementar um novo hábito.  

Desta vez, escolhi algo que tenho dificuldade em fazer consistentemente, mas que toda a gente diz que tem um impacto positivo na vida. Ligeiramente inspirada pela Desarrumada, decidi começar a ter uma pratica diária de “trabalho interior” ou atividades de “autoconsciência” ou de “desenvolvimento pessoal”.

Como de cada vez que tentei meditar diariamente falhei, decidi adotar a estratégia de Abril e, em vez de me tentar obrigar a meditar todas as noites, tenho 3 tipos de atividades dentro do mesmo género por onde escolher – escrever, meditar e respirar. Ainda posso acrescentar mais uma atividade à mistura, mas até agora ainda não senti necessidade de mais nada (deixem sugestões nos comentários). Cada noite posso escolher o sinto que é mais beneficial para mim, ou o que me parece requerer menos esforço. Assim, não estou a fazer coisas contrariada, só porque tenho de riscar mais um dia no calendário e a minha motivação tem-se mantido. Nas ultimas semanas escrevi sobre os meus sentimentos e sobre as muitas mudanças por que estou a passar; “tentei” meditar, umas vezes guiada pela aplicação Calm e outras sozinha; e fiz três sessões de respirar ou "breathwork", a primeira das quais me deixou ligeiramente pedrada (aqui esta o vídeo se quiserem experimentar). Demorei 6 dias sentir que este hábito estava suficientemente consolidado para acrescentar outro à mistura.

Para o terceiro hábito deste mês, escolhi de novo algo simples, mas que tenho andado a negligenciar. Beber água. Já é a terceira (1, 2) vez que falo de beber água neste blog, o que demonstra a importância que dou a este hábito e o quão facilmente deixa de fazer parte da minha vida.

É claro que bebo água e cacau e chá, mas ultimamente andava a sentir que os meus níveis de hidratação não eram ótimos e que algum do meu cansaço era devido à falta de água. O objetivo é beber duas garrafas de água (aproximadamente 75cl), todos os dias. Até agora já me apercebi que prefiro garrafas de vidro onde possa ver o nível de água, em vez da de alumínio que ando a usar. Idealmente encho a garrafa logo de manhã, para beber um pouco enquanto me preparo para o dia, mas que durante o resto da manhã não vale a pena forçar-me a beber muito, porque as duas chávenas de cacau que tomo são líquidos suficiente. Normalmente consigo atingir o objetivo antes de o dia de trabalho acabar.

Por enquanto são estes os 3 novos hábitos de Maio. Tenho mais alguns em mente, mas quero consolidada melhor beber 2 garrafas de água por dia antes de introduzir coisas novas. Gostei tanto do método que segui em Abril como do que estou a seguir este mês, e sinto que estou a usar o meu tempo de forma construtiva.

 

Acharam alguma destas técnicas interessantes? O que funciona para vocês?

 

*estou sem ideias para títulos

Cuidar do Planeta - e agora?

Maio 01, 2020

Nos últimos quarenta dias, apenas com uma interrupção devido ao coronavírus, fui partilhando no blog pequenos desafios diários com o tema “Cuidar do Planeta”, ao mesmo tempo fui partilhando no Instagram fotos da minha interpretação de cada desafio. No total foram 22 fotos das quais quero destacar estas 3, a foto que mais me marcou, foto que mais reduziu o meu impacto ambiental e foto mais “popular” no Instagram.

 
 
 
 
 
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Não partilhei o desafio numero 40 na véspera da Páscoa propositadamente, porque queria ter o tempo de preparar uma resposta adequada. Aqui está o desafio #40:

 

O que vais levar para adiante de tudo o que aprendeste e fizeste durante o desafio Cuidar do Planeta?

 

O desafio Cuidar do Planeta permitiu-me prestar atenção a uma série de questões ambientais e também educar-me sobre o assunto. A minha resposta a este último desafio é este artigo, uma reflexão sobre o tempo em que vivemos, o planeta e o futuro da espécie humana.

* * * 

Começando pela ciência, 2020 é apontado como o ano crítico para o início da redução das emissões de carbono. Para evitar eventos climatérios extremos cada vez mais frequentes, como o aumento do nível médio do mar e uma extinção em massa de plantas e animais (e potencialmente da espécie humana), é preciso reduzir em 7% as emissões de gases de efeito de estufa (GEE), todos os anos, durante os próximos 30 anos

Em Janeiro, estávamos tão perto deste objetivo como noutro ano qualquer, ou seja, nada perto e com uma tendência crescente das emissões de carbono. Entretanto, aconteceu uma calamidade que fez parar o planeta e, à custa de vidas perdidas, de muito sofrimento, e de uma travagem forçada da atividade económica, estima-se que haja um decréscimo de 4% nas emissões de GEE este ano.

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É difícil saber quanto tempo vai demorar até voltarmos completamente ao “normal”. É impossível saber como é que vai ser o novo “normal” depois da pandemia. Mas não seria bom voltarmos para um mundo com saúde e emprego; e também menos poluição, mais biodiversidade, e um modelo económico que deixe de assentar no paradoxo do crescimento económico infinito num mundo de recursos finitos, à custa de emissões de dióxido de carbono e do futuro das gerações mais jovens. Eu não tenho uma solução, mas quero partilhar convosco o que acho que podemos influenciar enquanto indivíduos. Já que estamos todos fechados em casa, podemos aproveitar este tempo para refletir sobre o mundo que queremos.

No que toca à emergência climatérica e ecológica acho que cada individuo pode contribuir para uma solução agindo em 3 áreas de influência distintas. A primeira área de influência é a nossa vida pessoal, do nosso estilo de vida e das nossas escolhas de consumo. Afinal, onde gastamos o nosso dinheiro é um voto em produtos e serviços que têm um impacto ambiental maior ou menor. A segunda área de influência é a do ativismo, onde impacto de um individuo é amplificado ao juntar-se a outros que a creditam na mesma causa. Enquanto grupo, é mais fácil chamar atenção do público, fazer pressão sobre os nossos governantes sobre temas locais e nacionais, e agir contra empresas que têm um impacto nefasto no ambiente. Por fim, a área de influência que eu considero mais difícil, mas também a mais recompensadora, a área das soluções. Porque há uma série de desafios a que é preciso dar resposta, se queremos ter um nível de vida “semelhante” ao de hoje, sem pôr em causa a saúde do planeta.

 

PESSOAL

Para trazer mais algumas ideias para além do típico usar lâmpadas LED e comer menos carne,  partilho algumas das ações inspiradas no livro “There is no Planet B” de Mike Berners-Lee, uma fonte credível cheia de ações com um impacto assegurado.

A primeira ação a tomar na esfera pessoal é a educação. Todos aprendemos na escola um pouco sobre o ambiente, sustentabilidade e efeito de estufa. No entanto, para a maioria dos leitores deste blog, a escola já foi há muitos anos. É preciso atualizar a informação que temos e ganhar novas perspetivas. Afinal, a nossa compreensão do mundo não é a mesma que quando estávamos na escola e o nosso estilo de vida também não. Apenas estando educados, podemos estar conscientes do impacto das nossas ações e podemos tomar melhor decisões.

Trazer para a nossa vida apenas aquilo é necessário. Não adquirir “tralhas”. Não aceitar coisas só porque são gratuitas. Não fazer compras porque estamos aborrecidos, porque nos sentimos inadequados, ou porque achamos que vamos ser felizes quando comprarmos a tal coisa. Ter cuidado com o que temos e com o que adquirimos para que dure muito tempo em boas condições. Quando o fim de vida dos objetos se aproxima do fim, reparar o que pode ser reparado, doar o que pode ser doado, reciclar o que pode ser reciclado e deitar para o mínimo de coisas possíveis para o lixo comum.

Aprender a gostar de atividades que requeiram pouca energia e tenham pouco impacto. Podemos tentar por de lado hobbies e passatempos que requeiram muita energia e muito carbono a favor de atividades com menos impacto no planeta. Estar com pessoas (sem apanhar aviões), conversar, ler, passear, e muitas outras coisas que eu não me lembro. Um mundo mais sustentável também tem de passar por uma revolução no nosso tempo de lazer.

Levar para o trabalho a parte de nós que se preocupa com o ambiente. Isto pode levar a coisa tão simples como usar uma caneca para o café em vez de um copo descartável ou tão difíceis como tornar a atividade da empresa onde trabalhamos menos intensiva em termos de emissões de CO2.

Votar em representantes políticos que estejam conscientes da crise ecológica e climática que estamos a viver. E que tenham programas partidários que proponham as soluções necessárias para não nos extinguirmos .

 

ATIVISMO

O ativismo é quando vamos para além das ações que impactam a nossa vida e começamos a tentar influenciar as pessoas e organizações à nossa volta.

De uma maneira individual, podemos falar com os nossos amigos, família e outras pessoas do nosso círculo social sobre a emergência climática e ecológica. É importante falar dos problemas do Planeta Terra, mas sem ser chato, dogmático ou com um complexo de superioridade. O objetivo não é converter pessoas, ou força-las a ter o estilo de vida que achamos certo. Penso que é muito mais eficaz (e benéfico para as relações) mostrar pelo exemplo. Por vezes, pequenos exemplos de várias pessoas são o suficiente para mudar a perspetiva de alguém. Cada pessoa leva o seu tempo para se sensibilizar para as questões ambientais e, muitas vezes, é contraproducente tentar um “abre-olhos”.

Para além das pessoas com quem estamos em contacto podemos espalhar a mensagem nas redes sociais e em plataformas onde temos alguma audiência. É o que eu estou a tentar fazer com este artigo.

Participar em manifestações de causas que acreditamos. Requer menos tempo e menos dedicação que pertencer a uma associação ambientalista a tempo inteiro, mas é uma forma de contribuir. Por exemplo, a primeira manifestação em que participei foi contra a instalação de um aterro na minha freguesia, juntamente com uma série de pessoas cá da terra. Uma das ultimas manifestações em que participei foi contra o apoio da BP ao British Museum e o “greenwashing”. É algo poderoso, fazer parte de um grupo de centenas de pessoas que acreditam no mesmo e se juntam para tentar mudar o mundo.

Ser um membro ativo de uma associação ambiental. O poder de um individuo é maior que a soma das partes quando se junta numa ação concertada. Muitas associações precisam de voluntários, com vários graus de investimento temporal. Fazer donativos, partilhar nas redes sociais, enviar cartas a representantes políticos, organizar protestos e ações de sensibilização, recolher dados e estatísticas, organizar o dia a dia da associação, ir preso. Há opções para todos os níveis de dedicação. Algumas associações que têm presença a nível nacional são a Quercus, Zero, Extinction Rebellion. Certamente que há outras, mas estas foram as primeiras que me lembrei.

Não esquecer também as associações locais. São os habitantes de uma certa zona que conhecem melhor os problemas ambientais que enfrentam. Podem organizar-se em associações, fazer pressão sobre as juntas de freguesia e municípios para resolver os problemas existentes e mesmo pôr ações em tribunal.

 

SOLUÇÕES

É preciso reinventar uma sociedade que caiba dentro dos limites do Planeta Terra, mas onde não haja pessoas excluídas. As áreas de reinvenção são infinitas, desde sistemas de agricultura que promovam a não desertificação dos solos, novas tecnologias de captação de carbono, passando pela geração de energia renovável, novos modos de transporte e até sistemas financeiros mais inclusivos. Precisamos urgentemente de soluções para um mundo mais sustentável e mais equitativo. 

* * * 

Conseguiram ler até aqui? Tinha planeado escrever um pequeno texto de reflexão, mas tornou-se num longo artigo. Deixem nos comentários, o que acham da minha reflexão? De que forma se sentem confortáveis em contribuir para a nossa não-extinção enquanto espécie?

Destralhei, Destralhaste, Destralhámos

Abril 09, 2020

Sou uma falsa minimalista. Sim, quero apenas o essencial na minha vida, há varias estações que partilho o meu processo de construir armários-cápsulas e, desde 2012 que escrevo sobre destralhamentos. O minimalismo tem mesmo um separador no topo do blog. A verdade é que nos os últimos anos, quando deixo de querer um objeto mas ainda não estou pronta para me desfazer dele, trago-o para casa dos meus pais. Ou seja, a tralha que tenho trazido para casa dos meus pais, mais a tralha que restou da minha última Grande Arrumação de 2013 foi-se acumulando de uma forma muito pouco minimalista. Apesar de estar tudo escondido e de o meu quarto parecer não parecer atafulhado, tinha uma grande quantidade de tralha. Mesmo muita. 

Assim que voltei para Portugal, sabendo que tinha de passar duas semanas em isolamento fechada no quarto, decidi dedicar-me ao passatempo mundial mais popular do momento, o destralhamento. Comecei pelos livros.

 

LIVROS

Quando comecei a ler sobre minimalismo sempre pensei que a única coisa de que nunca me iria desfazer eram os meus livros. Sempre gostei muito de ler e, quando era miúda, tinha o sonho de ter uma biblioteca privada. Cada livro físico que comprava ou me era oferecido era uma forma de me aproximar desse sonho.

Fui acumulando livros desde a altura em que comecei a ler sem esforço (deve ter sido no segundo ano) até ao fim do mestrado, quando comprei um Kindle. O resultado foi que além de ter uma estante cheia de livros, tinha 2 prateleiras extra no meio do quarto com livros, três prateleiras dentro do armário com livros e caixas de livros escondidas dentro do armário. Livros de criança, livros que não me traziam memórias memoráveis, livros que não achei particularmente bons, livros que nunca irei reler. Livros em excesso. Demorei alguns anos, mas finalmente cheguei ao ponto em que me sentia psicologicamente preparada para dizer adeus a muitos livros.

Comecei por seguir o conselho da Marie Kondo e pus no meio do quarto todos os livros, mesmo os que estavam escondidos nos cantos mais improváveis. Ver todos os livros num monte, no mesmo sitio ajudou-me a consciencializar-me da quantidade imensa de livros que tinha.

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Depois separei os livros em 3 montes diferentes. O monte do dos livros que queria guardar, o monte dos livros para serem doados e o monte do talvez. Esta primeira triagem foi fácil. Separei mais de cem livros para doar, parte deles foram distribuídos pela minha família, os restantes estão à espera do fim da pandemia para encontrarem uma nova casa. Depois limpei a estante, arrumei os livros que queria manter na minha vida e pus os livros para doar do lado de fora do quarto. Finalmente revi o monte do talvez e, nesta segunda volta, foi mais fácil identificar os livros que queria guardar e os livros para doar.

Depois do processo de destralhamento deixei de ter livros dentro do armário e nas prateleiras do quarto; todos os livros que guardei cabem na estante e ainda tenho espaço para mais alguns. Apesar de tudo, não estou totalmente satisfeita com a forma como tenho a estante organizada, mas por enquanto está assim:

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PAPÉIS

Depois dos livros, dediquei-me a outros tipos de artefactos em celulose que muito contribuem para a abundância de ácaros no meu quarto. Foi a vez de destralhar a papelada. Por papelada quero dizer os meus desenhos do infantário, os meus cadernos da primária, os meus apontamentos do ciclo e do secundário, os cadernos da licenciatura, os livros do Erasmus, os meus diários incompletos, coisas que escrevi em folhas soltas, desenhos, projetos, ideias de negócios. Basicamente, tudo aquilo com um suporte em papel que estava a guardar por causa de "memórias".

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Não há muito para escrever sobre o processo de destralhamento. Olhei para cada papel individualmente, pus para a reciclagem o que tinha de ser reciclado, pus no lixo o que era lixo e arrumei de forma organizada o que queria guardar. Enquanto selecionava o que queria e o que não queria, mantive em mente o titulo de um livro que eu nunca li "Swedish Death Cleaning" e pensei, se eu morrer não quero que os meus pais tenham de lidar com isto. Dá para ver que precisei de muita motivação para chegar ao fim dos montes de papéis.

Estou bastante satisfeita com o resultado. Guardei principalmente coisas importantes, removi do quarto quase 7 sacos para a reciclagem do papel e o espaço ocupado por esta categoria de tralha diminuiu bastante, estando agora fisicamente limitado à parte de baixo da estante.

 

ROUPA

O último passo foi a roupa. Foi relativamente rápido em comparação com as categorias anteriores, porque já tinha dado uma volta na altura do Natal. Pus a roupa toda em cima da cama, separei o que queria, pus num saco o que queria doar e experimentei as roupas onde tinha duvidas. Houve peças de roupa que me puseram a espirrar só de lhes mexer, uma clara indicação da última vez que as usei.

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Depois, limpei cuidadosamente o interior do armário, deixei arejar bem e arrumei a roupa que decidi guardar. As peças que estão penduradas em cabides, ficaram com os cabides ao contrário; daqui a um ano vejo os cabides que revirei e posso fazer um segundo destralhamento de forma fácil e rápida. Por fim, arrumei dois pares de calças e um vestido numa caixa dentro da estante, onde guardo a roupa com "valor sentimental".

 

O quarto não está colossalmente diferente do que estava antes, mas sinto-me mais leve por saber que tenho menos tralha. Acho até que não ter papéis nem livros no espaço onde durmo e trabalho tem melhorado um pouco as minhas alergias.

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