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Ser Senhora

Esta é a história de como me tornei Senhora. Uma Senhora a sério.

Ser Senhora

Esta é a história de como me tornei Senhora. Uma Senhora a sério.

Coisas estranhas de Portugal

Novembro 30, 2020

Desde que voltei a trabalhar em Portugal que há coisas que me confundem. Diferenças culturais às quais eu ainda não me habituei e que, na minha lógica de ex-emigrante, não fazem sentido nenhum.

 

1. Os títulos

No francês há o madame e o monsieur, no inglês o mr e o mrs, mas em português tudo é mais complexo. Na duvida, toda a gente é "doutor", excluindo os engenheiros (que são Sr. Engenheiro), os arquitetos (Sr. Arquiteto) e os médicos que são Doutores com maiúscula. Esta necessitada de incluir um titulo quando me dirijo a alguém confrange-me. Não consigo perceber a lógica de um licenciado querer ser chamado de "doutor". A mim soa-me a insegurança, quem esta convicto das suas habilitações e posição profissional não tem necessidade de ser chamado por um titulo para se afirmar. Por outro lado, quando me tratam por doutora até me arrepio, e sinto uma vontade imediata de corrigir a pessoa e dizer "doutora  não, mestre". Normalmente controlo-me e não digo nada. Fico só a sentir-me desconfortável com a situação.

 

2. O tu e o você

Eu sempre trabalhei em empresas muito informais. No escritório em França tratava toda a gente por tu. Com os colegas de fora, como falava em inglês nem sequer havia essa questão, porque no inglês só existe o you. Em Portugal há todo um conjunto de regras ocultas sobre o uso da formulação verbal correta. Por principio, gostava de tratar toda a gente por tu. Mas depois não fica bem, há gente que fica melindrada se não for tratada por você, ou que acha que é um excesso familiaridade. O pior é que eu não sei fazer frases usando "você" e troco-me toda ao falar. Quando acho que tenho abertura, pergunto às pessoas como preferem ser tratadas. Nos outros casos, fico só a sentir-me desconfortável.

 

3. Os cumprimentos

Obrigado covid por obrigares a manter um distanciamento social e já não ter dar beijinhos a estranhos. Mesmo assim, apesar do distanciamento, há gente que insiste em dar cotoveladas, ou então um murro no punho do outro. Isto levou-me à pergunta, qual é o papel sócio-cultural dos cumprimentos? Será que tenho de aperfeiçoar cotoveladas assertivas? Ou opto por aquele olá à distância, e aquela explicação repetida mil vezes "ahh em tempos de covid tem de ser assim" acompanhada de um sorriso amarelo. E depois toda a gente fica desconfortável e sem saber o que fazer durante uns segundos. 

 

PS. Estou viva, mas escrever ainda não voltou a fazer parte da minha rotina.

Parabéns blog!

Outubro 19, 2020

Desde o final da Primavera que este blog tem estado meio ao abandono, devido às muitas mudanças que houve na minha vida pessoal nos últimos meses. Enquanto tentava gerir se foi passando, o blog e a saposfera passaram para segundo plano. Deixei de comentar. Quase que deixei de ler outros blogs. Perdi o hábito de escrever aqui regularmente. Apenas consegui manter o meu compromisso mínimo de um publicar um artigo por mês. Estou meio sem saber o que fazer. Por um lado o blog é uma parte boa da minha vida. Por outro não sei bem sobre o que escrever. Espero até ao final do ano ter uma visão mais clara do que quero fazer e, até lá, contem com um artigo por mês.

Como já é costume, aqui está a estatística dos últimos 12 meses (com uma clara diminuição de visualizações a partir de Junho):

Screen Shot 2020-10-19 at 22.50.55.png

E para continuar a tradição, partilho o artigo dos últimos 12 meses de que mais me orgulho, sobre  crise ambiental e ecológica e como todos podemos contribuir positivamente; o artigo que reli com um sorriso nos lábios sobre os livros de 2019; e o artigo com o infográfico-mais-fixe-feito-por-mim sobre períodos ecológicos. Reler o que escrevi no ultimo ano deixou-me um bocadinho mais animada do que estava quando comecei a escrever este artigo

Já há 10 anos que este espaço existe... quem diria.

Período ecológico - pensos reutilizáveis

Setembro 30, 2020

Em 2018 comecei um rascunho de um artigo sobre o custo que o período acarreta ao longo da vida de uma mulher (cerca de 15.000€ de acordo com as minhas estimativas) e como soluções reutilizáveis podem ser muito mais económicas a longo prazo. Às questões monetárias juntaram-se preocupações ecológicas, uma vez que uma mulher produz em média entre 90 a 135kg de resíduos para absorver sangue menstrual, e é possível eliminar este lixo com relativamente pouco esforço.

Tentei usar um copo menstrual, mas não me consegui adaptar. Achei que os pensos reutilizáveis seriam uma melhor solução para mim, mas demorei anos até finalmente os comprar. Todos os meses, sempre começava o meu ciclo, lembrava-me que queria encomendar pensos reutilizáveis mas acabava por nunca o fazer. O Desafio Cuidar do Planeta deu-me um empurrão definitivo e, no início do ano, comprei dois packs de pensos de tecido reutilizáveis. Depois mais de meio ano a usá-los em contextos variados, sinto que estou pronta para partilhar as minhas impressões e fazer uma review.

 
 
 
 
 
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O que são?

Pensos higiénicos de tecido reutilizáveis

São compostos por um três camadas de tecido diferentes, uma camada de fibra de bambu que afasta a humidade do corpo e que tem um toque agradável, uma camada intermédia de micro-fibra absorvente, e uma camada exterior à prova de água para evitar fugas. Os tecidos exteriores têm padrões diversos, que acho infantis ou divertidos consoante o meu humor.

Screen Shot 2020-09-11 at 16.45.43.png

Os tamanhos variam e há modelos adaptados para a noite. Os pensos prendem-se às cuecas através de um sistema de clip.

 

Onde comprar

AliExpress (onde em comprei os meus)

Panos da Vera (nunca os experimentei)

Muito provavelmente em lojas de produtos ecológicos, bio, etc

 

Utilização e cuidados

Screen Shot 2020-09-30 at 23.11.56.png

(fui eu que fiz este belo esquema)

A nível de uso funcionam tal qual como um penso descartável, mas em vez de cola há um clip para prender o penso às cuecas. No fim de os usar, em vez de os deitar para o lixo, passo os pensos por água fria, deixo-os a secar na casa de banho, e no final do ciclo menstrual lavo-os todos à máquina. Não é preciso comprar mantimentos-para-o-período todos os meses, porque os pensos reutilizáveis ficam guardados à espera do próximo ciclo.

 

A minha experiência

Tenho pensos suficientes para apenas usar pensos reutilizáveis de tecido durante o meu ciclo menstrual (fiz as contas antes de os comprar e acertei mesmo à conta) e, na maioria dos meses, uso exclusivamente pensos reutilizáveis.

São extremamente absorventes, não têm um toque húmido e, na maior parte das vezes, nem sequer me apercebo de que os estou a usar. O impacto ambiental é reduzido (já não faço lixo mensalmente para lidar com a minha menstruação), não me tenho de lembrar de comprar pensos e outros mantimentos-para-o-período (porque às vezes esquecia-me e depois tinha de ir ao supermercado com um chumaço de papel higiénico).

Pela minha experiência, não são pensos adequados para atividades físicas, ou mesmo para quem tem uma vida muito ativa. Com o sistema de clips, sentia os pensos a sair do sitio apenas com exercício ligeiro como passear o cão. Também não são o método mais conveniente para usar em viagens, porque apesar de os pensos virem com uma bolsa onde podem ser guardados depois de usados, a logística e limpeza exigem demasiado esforço.

 

Se recomendo?

Sim!

Se não estão 100% convencidas e mas querem experimentar, sugiro começarem por pensos noturnos. São enormes, absorvem muito e provavelmente não vão sair do sitio.

  

Outras alternativas ecológicas

Copo menstrual (experimentei uma vez e não me adaptei)

Cuecas absorventes (que eu tenho vontade de experimentar um dia destes)

Decoração para Iniciantes

Julho 31, 2020

Pela primeira vez na vida decidi decorar o espaço onde vivo. Foi o resultado de uma conjugação única de espaço suficiente, disponibilidade financeira e vontade de viver num sitio agradável que contribua para me sentir melhor.

Escrevi o primeiro rascunho deste artigo no início do ano, enquanto me estava a educar sobre decoração. Vários meses depois, acho que já percebo um bocadinho do assunto e pus em prática os meus conhecimentos ao decorar um quarto e uma casa de banho. Neste artigo quero partilhar convosco algumas ideias chave sobre decoração. Pode ser que faça um segundo artigo com o antes e o depois dos dois espaços que decorei.

0. Destralhar

Não vale a pena fazer esforços cosméticos quando se vive no meio da tralha. Para mim, o primeiro passo é sempre destralhar.

 

1. Desenvolver sensibilidade estética

Da mesma forma que andar vestido e ter um sentido de estilo pessoal não é inato, e é algo que é preciso trabalhar e apurar, também é preciso desenvolver uma sensibilidade estética para a decoração. Nos dois casos o processo é semelhante, é preciso estar exposto ao máximo de conteúdo visual possível. Aqui está uma lista daquilo que fiz:

  • Vi muitos vídeos no Youtube de "bedroom makeovers” em estilos diferentes
  • Comecei a jogar "Design Home" no telemóvel
  • Vi um reality show de decoração no Netflix
  • Subscrevi sub-Reddits de decoração  r/DesignMyRoom/ r/AmateurRoomPorn r/InteriorDesign/
  • Li alguns artigos
  • Visitei lojas de mobília e decoração, principalmente online (Ikea, made.com)
  • Criei um board no Pinterest e comecei a guardar imagens de que gostava

Demorei um pouco de tempo até perceber o que gostava realmente e o que funcionava para mim e para o meu estilo de vida. Lá por uma imagem do Pinterest parecer maravilhosa, não quer dizer que adeque à minha vida. E foi difícil perceber a diferença entre gosto, mas-fica-bem-na-casa-dos-outros e o gosto, funciona-na-minha-vida-e-quero-olhar-para-isto-todos-os-dias.

 

2. Pensar na função da divisão

Na minha perspetiva uma casa, acima de tudo, é para ser vivida. Não vale a pena ter uma casa que fica bonita nas fotografias, se depois não é funcional. O design tem de contribuir para evitar as pequenas fricções do dia a dia e facilitar a vida das pessoas que ocupam o espaço.

Por exemplo, aqui estão as funções de duas divisões:

  • Quarto: dormir, ler, guardar roupa, fazer esticamentos, usar o computador
  • Casa de banho: necessidades fisiológicas, tomar banho, lavar as mãos, lavar a cara, guardar atoalhados e cremes para o rosto que estão em uso, pôr a roupa suja

 

3. Arrumar a mobília de forma a potencializar a função da divisão

A mobília deve estar colocada de forma a que seja fácil executar as funções de cada divisão. Quando já se tem mobília, nada como arrastar tudo de um lado para o outro, testar vários posicionamentos e ver o que funciona melhor.

Quando não se tem mobília, ou se quer imaginar o efeito de uma nova peça, este site pode dar um ajuda. É gratuito, dá para criar uma divisão com o tamanho personalizado, adicionar mobília, e ver como é que mobílias de diferentes tamanhos, organizadas de diferentes formas jogam entre si.

Aqui estão algumas dicas sobre posicionamento de mobília 

  • Evitar encostar todas as peças mobília às paredes
  • Encostar a cama a uma parede, centrada, e de preferência de frente para a porta
  • Guardar a loiça num sitio que seja acessível quando a máquina de lavar está aberta (demorei 2 semanas até perceber esta)

 

4. Definir o ambiente do espaço

Depois de pensar na função é importante pensar no tipo de ambiente que querem sentir em cada divisão. Por exemplo, eu gosto de quartos calmos, minimalistas, mas acolhedores e relaxantes. Em casas de banho gosto de sentir energia, ter uma luz que me favoreça e de ter apenas o essencial.

Muitas vezes, o mais fácil é traduzir um ambiente num estilo específico. Eu acho que, para além de replicar um estilo, é importante pensar no que já têm em casa (e tentar reaproveitar ao máximo) e também refletir em cores, texturas, iluminação e peças chave.

  • Estilo

Identificar um estilo de que gostam facilita muito o processo de encontrar inspiração, porque se passa saber o nome e as palavras chaves a pesquisar. Eu fiz alguns “testes” (1, 2) para perceber o que gostava. Não foi a solução imediata para saber como decorar o sitio onde vivo, mas foi um ponto de partida para afinar os meus quadros de inspiração no Pinterest. A titulo de exemplo, aqui estão algumas fotos de estilos de decoração populares.

Modern Home

Open Plan Bedroom Decorate Design

Camp Hill Property Styling

(Estilo Moderno / Contemporaneo / Minimalista. Imagens daqui.)

  • Cores

Alguns estilos têm um conjunto de cores diretamente associadas, por exemplo o branco e o estilo escandinavo. Outros estilos são mais flexíveis. As cores influenciam o ambiente da divisão, a forma como a luz interage com o espaço e até pode influenciar o humor das pessoas que aí vivem. Aqui está um link que explica um pouco o impacto de cada de cada cor. A titulo de exemplo pessoal, o amarelo é uma cor que me irrita.

A maioria das pessoas não vai decorar uma divisão apenas com uma única cor. Regra geral, a internet recomenda usar um rácio de cores de 60% - 30% - 10%. Uma cor principal que ocupe 60% da divisão (ex. paredes), uma cor secundária com uma representação de 30% (ex. mobília), e uma cor acentuar que apenas ocupa 10% do espaço (ex. bibelots).

Se precisarem de procurar tintas de todas as cores, este site ajudou-me bastante. 

  • Texturas & Padrões

Além das cores também dá para jogar com texturas e padrões para obter o ambiente desejado. Nas paredes a solução mais óbvia para acrescentar padrões e texturas é utilizar papel de parede.

Na mobília é possível optar por acabamentos metálicos, em madeira, em vidro ou em pedra para trazer dimensão à divisão. A nível têxtil, opções diferentes transmitem sensações diferentes. Acho que o algodão dá um ar neutro e discreto. Enquanto que o linho, veludo ou mesmo lã são têxteis (a meu ver) com mais personalidade.

O padrões podem ser incorporados em acessórios como tapetes, almofadas, quadros, dependendo do gosto de casa um.

  • Iluminação

A iluminação é um pouco como as cores, tipos de luz diferente fazem efeitos diferentes. Para mim luz quente (entre 2700k e 4000k) torna o ambiente mais acolhedor e agradável, enquanto que luz fria (entre 4000k e 6500k) inspira-me a ser produtiva. Depois há as luzes para efeitos específicos, por exemplos focos de luz para ler, velas ou candeeiros de sal para um efeito relaxante, luzinhas LED para decorar. 

Com soluções de domótica mais acessíveis, também é possível ter luzes onde dá para ajustar a intensidade, que se desligam automaticamente ou que se controlam pelo telemóvel. É uma área que eu não conheço, mas quero explorar. 

  • Peças chave

Se estão perdidos em relação estilos ou cores podem começar por uma peça de mobília ou de decoração de que gostem muito e construir o resto a divisão em torno dessa peça.

 

5. Concretizar o ambiente, respeitando o layout, a função da divisão e um orçamento

Enquanto que as etapas anteriores foram de preparação e conceptualização, este é o passo em que o imaginado se torna realidade. É o verdadeiro decorar. Isto pode passar por pintar, fazer alterações a moveis, comprar peças, pendurar quadros, mudar mil vezes o sitio de decorações, etc.

 

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