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Ser Senhora

Esta é a história de como me tornei Senhora. Uma Senhora a sério.

Ser Senhora

Esta é a história de como me tornei Senhora. Uma Senhora a sério.

Ser antes de Ter

Agosto 08, 2019

Eu gosto de caminhar. Gosto tanto de caminhar que um dos meus objetivos para 2019 é fazer 50km de caminhadas. É certo que caminho com menos frequência do que gostaria, mas nos últimos três meses, fiz duas caminhadas, uma de 20 km e outra de 30km. O objetivo foi atingido.

 

Nas minhas caminhadas levo sempre uma mochilinha com comida, água, um agasalho e um kit de emergência. Esta minha mochilinha tem 10 litros de volume e é o modelo básico da Decathlon. Aquele que custa 3€. Uma mochila que é perfeitamente adequada para passeios em cidade ou caminhadas curtas, mas que se torna desconfortável para distâncias maiores. Faz demasiado peso nos ombros, balança de um lado para o outro nas descidas, não tem espaço para um casaco de inverno, e não tem nenhum sitio para prender os bastões de caminhadas.

Screen Shot 2019-08-06 at 22.19.21.png

mochila-3-euros

Depois do meu último passeio decidi que estava na hora de comprar uma mochila melhor. Já quase que me tinha decido por uma mochila em saldo da Decathlon quando decidi espreitar um site especializado em equipamento para desportos ao ar livre.

 

Comecei a pensar a mochila que tinha escolhido era demasiado pesada (780gr) e que o ideal era encontrar uma mochila leve (com menos de 500gr). Mas como eu gostava de fazer caminhadas de vários dias, se calhar preciso de uma mochila um pouco maior. Mas não vale a pena ter uma mochila ultra-leve se o meu saco de cama for pesado. Preciso de um saco de cama de penas. E de uma rede e de um toldo. De preferência tudo ultra-leve. E de marca. E bonito. Quando dei por mim, já estava a ver mochilas a +80€.

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mochilas-xpto

Decidi recentrar-me.

  1. Esqueci a pessoa que gostava de ser, os meus hábitos de caminhada ideais, e os meus sonhos de thru-hiking.
  2. Refleti no uso real vou dar à mochila, baseado naquilo que conheço de mim própria, em dados históricos de caminhadas e em planos específicos/agendados para os próximos meses.
  3. Confirmei montante disponível na minha conta bancária e as minhas prioridades financeiras.

 

Rapidamente percebi que a mochila-saldos é suficiente. Mesmo que quando sonhe acordada faça caminhadas de vários dias em autossuficiência, nos próximos meses não vou ter oportunidade de fazer nada do género. A grande maioria das caminhadas que vou fazer vão continuar a ser de 1 dia, mesmo que sejam de vários km. O meu orçamento também não me deixar gastar muitos €€ numa mochila, porque as minhas prioridades são viajar e poupar. Uma mochila-xpto não se enquadra nas minhas prioridades e iria acabar por ter um preço por utilização demasiado elevado. De qualquer modo, a mochila-saldos já é uma enorme melhoria em relação à mochila-3-euros.

Screen Shot 2019-08-06 at 22.28.12.png

mochila-saldos

Tudo isto para dizer comprar “______________” não me vai tornar uma pessoa diferente. É um desperdício de dinheiro fazer compras a pensar no eu-ideal em vez de pensar no eu-real. É muito melhor (mas mais difícil) focar-me em estar mais perto do meu eu ideal, desenvolver hábitos melhores e tomar ações concretas para viver uma vida de “sonho”, do que comprar coisas e esperar que tudo mude.

Não é por comprar uma mochila xpto que vou passar a fazer grandes caminhadas. O melhor é começar a caminhar frequentemente ou agendar uma caminhada de vários dias. Se não tiver o hábito de ler, não é por comprar um Kindle/Kobo que vou passar a ler mais. Não é por ter sapatilhas novas que vou passar a ir mais vezes ao ginásio. Não vale a pena comprar roupa para o meu eu-estiloso se não tenho ocasiões para usar roupa estilosa.

Resumindo: ser tem que vir antes de ter. 

Entretanto fui buscar a mochila à Decathlon, e é muito melhor do que estava à espera. 

Como Arrumar Muitas coisas numa Casa Pequena

Janeiro 25, 2019

Não dá. É impossível. Desengane-se quem pensa que sim. As coisas multiplicam-se por todo lado, espalham-se como uma erva-daninha-dos-apartamentos, enquanto que as casas (infelizmente) não esticam. Eu sei, vivo em 36m2 juntamente com o Momé e as tralhas de ambos. No inicio ia dando em maluca. Com o tempo, a situação ficou um pouco mais sob controlo, por isso decidi partilhar convosco as minhas técnicas.

 

Destralhar

O primeiro passo para arrumar muitas coisas numa casa pequena (ou de qualquer outro tamanho) é mandar fora as coisas inúteis. Às vezes não é fácil, é preciso objetividade, desapego e perceber que é preciso pouco para ter uma vida confortável e de muito poucos objetos materiais para ter uma hipótese de ser feliz.

 

Para quem ainda não desenvolveu o hábito de destralhar e precisa de inspiração/motivação, sugiro ler o livro, ou a série do Netflix, "Arrume a Sua Casa, Arrume a Sua Vida" (The Life Changing Magic of Tyding Up) da Marie Kondo. É uma boa introdução ao minimalismo, nele é sugerido que apenas devemos manter nas nossas vidas o que nos traz alegria. Além deste livro há vários blogs portugueses que abordam o tema (incluindo o meu), e um grupo no Facebook. Para quem esta à vontade com o inglês sugiro este subReddit.

 

Arrumar

Caixas 

Eu gosto muito de caixas, tanto que o meu gosto por caixas é objeto de piadas. Gosto de caixas porque são uma forma barata de criar espaços de arrumação, agrupam várias coisas num só local e impõem um limite rígido de espaço a ser ocupado. Para conseguir ter o meu apartamento organizado e arrumado utilizo caixas de plástico, caixas de sapatos, caixas reutilizadas, e uma espécie de caixas para por debaixo da cama.

 

Gosto particularmente das caixas de plástico transparente porque deixam ver o que esta lá dentro, são facilmente transportáveis e dão um ar de ordem. Tenho 3 caixas grandes, duas onde guardo guardo a minha roupa fora de estação e uma para os utensílios de cozinha que uso menos de uma vez por semana. De maneira semelhante, como não tenho nenhum móvel na casa de banho, guardo tudo numa caixa transparente que coloco na prateleira acima da sanita. Também tenho outra caixa mais pequena com a maquilhagem, que guardo na entrada. Duas caixas para itens deste tipo chega e, quando deixam de fechar, é sinal que está na hora de destralhar. 

 

Tenho uma caixa de sapatos onde guardo pequenas coisitas de "escritório" que estavam espalhadas pelas prateleiras. Assim está tudo junto e só tenho que abrir a caixa e voltar a pô-la no lugar. E também tenho uma caixa de metal, reutilizada, onde guardo todos os meus chás. 

 

Design sem nome (3).png

 

Para ter arrumação extra comprei estas espécie-de-caixas-para-por-debaixo-da-cama do Ikea, só tenho pena que a cama seja demasiado baixa e que as caixas não caibam. Tenho-as ao alto, para fazer a separação entre a área da tralha e o resto da casa.

 

Malas de viagem 

As malas de viagens têm de ser guardadas nalgum lado, portanto mais vale guarda-las cheias de coisas. 

 

Na mala de mão tenho o meu material para hobbies desportivos (natação, caminhadas, roupa de ski, jiu jitsu), na mala de porão tenho um saco de cama e algumas camisolas de manga comprida. Tenho também um saco a tiracolo onde guardo o material de campismo. 

 

Sacos

Quem nunca usou sacos de plástico para arrumar coisas? São feios, mas económicos e agrupam varias coisas no mesmo lugar. Eu confesso que tenho alguns sacos de coisas variadas que guardo debaixo da cama. 

 

A versão chique dos sacos de plástico são os sacos de vácuo. São sacos que se ligam ao aspirador para "sugar" o ar e ficarem sem volume. Eu já usei para guardar roupa e edredons. É preciso ter atenção porque com o tempo (especialmente se forem mais baratos aka da Primark) voltam a encher-se de ar .

 

Separadores 

Tenho separadores dentro das gavetas, que comprei na Primark. Em vez de ter uma confusão de coisas aos montes tenho cada categoria no seu separador. Uso uns separadores do mesmo conjunto na cozinha, para separar as batatas das cebolas & alhos. 

 

Cestos 

Não tenho nenhum mas acho que são bonitos, e podem funcionar como elemento decorativo ao mesmo tempo que servem de arrumação. 

 

 

E volto a reforçar, por muitos sistemas de arrumação que se tenha, a melhor solução é parar de comprar/aceitar coisas inúteis e destralhar aquilo que já não faz sentido na nossa vida. 

Destralhamento de Roupa

Novembro 08, 2018

Inspirada pela Marie Kondo decidi fazer um destralhamento à minha roupa. Pus tudo em cima da cama, organizado pelas categorias que a Marie Kondo recomenda, e contei as minhas posses:

Partes de cima: 41

Partes de baixo: 17

Roupa que se pendura: 16 (vestidos e casacos)

Meias: 68

Roupa interior: 36

Malas/bolsas: 3

Acessórios: 13

Roupa para ocasiões especificas: 35 (vestidos especiais e roupa de desporto)

Sapatos: 11 (se contar com os crocs que tinha calçados)

Total: 240

 

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Pensei arduamente nas peças que queria manter na minha vida, e depois de um processo de seleção (do qual não tirei fotos), decidi doar um soutien e uns sapatos nunca usados; mandar para o lixo umas calças e um par de meias; enviar para a casa dos meus pais 26 peças de roupa e devolver ao Momé 30 pares de meias curtas. Acabei com um total de 181 peças.  

 

Nanowrimo vai mal. Ainda só escrevi 4.543 palavras quando, à data de hoje, já deveria ter escrito 11.666. Não tenho ideias e a história está a ser aborrecida.  

Cápsula de verão & planos para os saldos

Junho 29, 2018

O conceito de cápsula não é novo neste blog. Também já tinha explicado como organizo o meu guarda roupa para o trabalho. Para adaptar a cápsula à meteorologia, quando a estação começa a mudar vou adicionado (ou subtraindo) algumas peças ao meu guarda roupa até ao dia em que acho que o tempo já esta suficientemente estabilizado para rever a cápsula completamente. 

 

Foi o que aconteceu na semana passada. Com temperaturas consistentemente acima dos 10°C e os conteúdos da arrecadação aos montes pelos cantos dentro do apartamento, decidi rever e editar a minha cápsula. O primeiro passo foi lavar e tirar os borbotos à minha roupa invernal. Depois, dobrei-a e arrumei-a num sitio fora de vista, pronta para ser desempacotada quando o inverno chegar. Estando a roupa de inverno arrumada apenas sobrou a de verão. Foi um prazer redescobrir a roupa que estava dentro das caixas, um misto entre reencontrar um velho amigo e descobrir algo novo.

 

Como de costume, utilizei alguns critérios para escolher a roupa:   

  • Roupa em que me sinta física e psicologicamente confortável
  • Roupa que se adeque ao dresscode do escritório (que é muuuuito flexível) 
  • Suficiente peças para não andar sempre a lavar roupa, mas não demasiadas para ficar paralisada com excesso de escolhas.  
  • Evitar ao máximo roupa que tenha de ser passada a ferro 

 

E aqui está o resultado (numa tabela, porque tenho demasiada preguiça para tirar fotos):

tabela roupa.PNGFaltam-me algumas peças para completar esta cápsula e vou aproveitar o inicio dos saldos e a chegada do meu salário para as comprar.

  • Um par de calças adicional, de preferência fresco e de uma só cor
  • Um t-shit branca, de decote em V, de algodão de boa qualidade
  • Mais uma t-shirt para o trabalho, se encontrar alguma coisa de jeito 
  • Estou a refletir se me dou ao trabalho de procurar umas sandálias ou não 

 

Para o resto da minha vida, tenho roupa suficiente. Nestes saldos a prioridade máxima é encontrar uns jeans pretos e justos. Depois se encontrar um vestido longo bonito ou uma t-shirt, interessantes e a bom preço, pode ser que os compre.  

 

E vocês, qual é o vosso plano de ataque para os saldos? 

As Aventuras de uma Senhora - Minimalismo

Junho 18, 2018

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Mesmo antes de saber que saber o que era o minimalismo eu já o era. Desde miúda que fazia destralhamentos anuais, que duravam o verão todo e que eram acompanhados de gritos de "incentivo" dos meus pais.

 

Descobri a filosofia do minimalismo quando comecei a pesquisar sobre a forma mais eficiente de andar vestida. Desde então li bastante sobre o assunto, vi documentários e cheguei à conclusão que para mim o minimalismo é ter apenas o que preciso. E que na verdade o que preciso não é assim tanto.

 

Sendo minimalista, tralha nos meus espaços é algo que dá comigo em maluca. Como na semana passada. Fiz mudanças desde Lyon até à minha terra atual. Consegui por os conteúdos de um apartamento mobilado dentro de um apartamento que já estava mobilado. Desde segunda feira que tenho uma cama no meio da sala de estar. Tinha tralhas, caixas e malas a montes pelos cantos, a minha mala de viagem semi desfeita e roupas atiradas para cima da cómoda. A tarefa de arrumar e limpar tudo parecia descomunal.

 

Procrastinei. Passei horas no sofá a vegetar sem comer. Tive de fazer uso do meu último resquício de força de vontade para decidir que só me ia deitar depois de arrumar a casa. Já era tarde, mas finalmente a bateria do meu portátil acabou e eu consegui libertar-me do poder gravitacional do sofá. Disse a mim própria que a perfeição é inatingível e que o objetivo era apenas tornar a casa habitável.

 

Movi tralhas de um lado para o outro, arrumei a roupa de inverno, varri o chão, arrumei a loiça lavada. Foi mais rápido do que tinha previsto. Ainda tenho tralhas a mais, ainda tenho que limpar a casa de banho e os vidros, mas estar em casa já não afeta a minha saúde mental.

 

Voltando ao minimalismo, como é que aquelas pessoas que vivem em casas minúsculas o fazem? Eu e o Momé nem temos assim tantas coisas, mas mesmo assim é difícil arrumar tudo nos nossos 36 m2. 

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